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PROFISSÃO PERPÉTUA

A monja, chamada a pertencer unicamente a Deus, separa-se de seus irmãos, para estar mais perto deles, em um amor mais puro e mais forte, participando com toda sua vida no ministério de Cristo, adorador do Pai e salvador do mundo. Aquilo que a monja abandona, encontra-o, purificado e transfigurado, em Deus: ama-o em Deus, aproxima-o de Deus.

Semelhante a vida coloca-a no coração da Igreja, onde se exprime e celebra o primado e a soberania de Deus. É este o testemunho público, profético e próprio da vocação contemplativa, necessária à Igreja e ao mundo como a respiração à vida.

Serva e adoradora de Deus, mas também filha da terra, a monja é, por isto mesmo, humana presente no coração do mundo. Ela vive uma solidão que é o oposto do isolamento, não a solidão de uma ilha separada do continente, mas a do mar que incessante e incansavelmente banha, acaricia e invade a terra.

No coração de uma contemplativa - voz da terra e eco do Céu - Deus e o mundo se encontram. A contemplativa entra nos segredos de Deus e nos interesses dos homens, relatando aos homens os segredos e as misericórdias de Deus. As misérias dos homens são um imenso oceano, mas as misericórdias de Deus são um oceano infinitamente maior. A Igreja pede à contemplativa que seja o canal de comunicação entre estes dois oceanos.

Eis a missão e o segredo de uma carmelita: de sua pequena cela, antes, da profundidade e transparência de seu coração - partem, dia e noite, ondas misteriosas e santificantes. As almas por elas atingidas ignoram sua fonte; sabem, porém, que alguém rezou e sofreu por elas.